segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sobre os erros

Errar é humano. Mas ninguém gosta de errar. Talvez porque seja uma constatação de nossa humanidade. No fundo, gostaríamos de ser deuses, à prova de erros. Mas erramos, e erramos feio. Eu errei feio nesses últimos tempos. Pisei na bola, e estou com aquela sensação de fracasso. Entretanto, estou inclinada a acreditar que no fundo, todos erramos. Fazemos uma escolha errada, achamos que as coisas estão no papo, descobrimos que não somos tão bons assim.
Mas com os erros aprendemos. Para não errar mais tanto. Ou, pelo menos, errar "menos feio". E nesse caminho estou tentando seguir (ainda que seja extremamente difícil).

sábado, 7 de dezembro de 2013

Sobre o fracasso

Tem um poema de Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) em que ele escreve: "Nunca conheci quem tivesse levado porrada./Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo." Tivesse vivido hoje, Campos certamente teria escrito seu poema tendo as redes sociais em mente.
Entrar no Facebook é a constatação diária de que você é um fracassado. Um loser, se preferir em inglês. O auge do seu dia é assistir um episódio novo de sua série favorita, enquanto todos os seus conhecidos estão postando fotos mostrando o quanto o dia deles foi incrível, ou o quanto eles estão se sentindo hastag abençoados porque foram reconhecidos no trabalho, porque fazem o que amam, porque são felizes e ai de quem não é. E você acabou de tomar porrada no trabalho. Você não está se sentindo nem um pouco hastag abençoado. Na verdade, você está com medo de perder o emprego porque pisou na bola. Fez o que não deveria ter feito. Você está fracassando. E quando você fracassa não tem frase bonitinha de Facebook, Tumbler, Pinterest, Twitter ou Instagram que faça você se sentir melhor. Tudo que você sente é culpa, raiva, vergonha. E tudo elevado a enésima potência, porque afinal de contas, você é a única pessoa do mundo (pelo menos é essa a sensação) que levou porrada.
Por isso, me pergunto: "Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?". Devo ser. Porque ultimamente, ando levando porrada.

Você pode ler o "Poema em linha reta" de Álvaro de Campos aqui.

sábado, 16 de março de 2013

Assistindo: Homeland (Parte I)

 Fiz um update! Está em negrito no post.
Antes de começar:
1. Pode conter spoilers. Por isso, se você ainda não assistiu e tem alguma intenção de assistir no futuro, cuidado.
2. Impressões pessoais, única e exclusivamente. Opinião dada como fã.
3. Pode ser um texto longo ;)

Feitas as considerações acima, eu meio que quis começar uma seção nova no blog: o "Assistindo", que consiste basicamente em dar opiniões (não-especializadas, veja bem. Não estamos enganando ninguém) sobre séries que eu assisto/assistia. Decidi abrir com uma série mais pop, Homeland, que ganhou um monte de prêmio ultimamente.
Honestamente, o gênero e o enredo não são os meus favoritos. É um thriller misturado com drama, que envolve terroristas e a CIA (e parece que esse é o tema favorito dos produtores ultimamente, né?).   Então, porquê eu assisto? Em duas palavras: Damian Lewis. Eu sou super fã do cara, e assisto basicamente qualquer filme/produção que o envolvam. Daí, eu não ia perder a série protagonizada por ele, né? Mas eu continuei assistindo porque gostei bastante da história, e comecei a ficar interessada em saber o que vem depois.

 (Se clicar na imagem, ela direciona para o local de onde foi retirada.)

Basicamente, Homeland é sobre um soldado (Nicholas Brody, interpretado pelo Lewis) que é feito prisioneiro por terroristas durante oito anos e que é resgatado em uma operação da CIA. O cara volta para casa e se torna o grande "heroi americano". Só que uma agente (Carrie Mathison, interpretada pela Claire Danes) desconfia que o tal heroi não é bem o que parece ser, e que no fundo ele está tramando um ataque terrorista contra os Estados Unidos. 
Mas uma das grandes sacadas da série (pelo menos na primeira temporada) é justamente trabalhar com a dúvida: nem tudo é o que parece ser. A Carrie é uma agente brilhante (claro, tem clichê), mas problemática- ela sofre de transtorno bipolar (e resiste em enfrentar sua condição)- e é obssessiva até o último fio de cabelo. Ou seja, quando sua desconfiança sobre o Nicholas se prova infundada num primeiro momento, você começa a duvidar sinceramente que ele seja um terrorista, e a desconfiar que ela no fundo, só está sendo obssessiva- e chata.
É claro que os dois se envolvem romanticamente, e se a princípio ela estava jogando com ele, depois ela se apaixona, aquela coisa toda que a gente conhece.
O outro personagem ambíguo é justamente o Brody. Ninguém sabe o que se passa na cabeça dele, e parece que ele está manipulando a todos a todo momento. Ele mente, ele mata, ele se faz de coitado, e você acaba simpatizando com o personagem. Aí também está outra grande sacada da série: mostrar que nem tudo é preto no branco. Lá para o fim da primeira temporada, você descobre que o cara é realmente um terrorista (homem-bomba e tudo), mas você não odeia ele, sabe? Você torce para o plano dar errado, para que ele se salve, para que ninguém descubra e para que ele possa se redimir. Apesar de não ter sido uma mega fã da Carrie, no final da temporada, eu fiquei torcendo por ela. Ela foi considerada louca, e acabou afastada (outra palavra para expulsa) da CIA por causa dele.
A série dismistifica aquela história de "os EUA são os mocinhos" e "os islâmicos são os vilões". Como eu disse, nem tudo é preto no branco. O Brody é o heroi americano, mas que está envolvido com terroristas, a Carrie é a agente quadradinha que acredita estar na guerra contra o terror, mas que está envolvida romanticamente com um terrorista (e que não quer abrir não dele de jeito nenhum).
Mas o personagem mais ambíguo de todos é Saul Berenson (interpretado pelo Mandy Patinkin)- e é um dos meus favoritos!. O Saul é um agente da CIA "das antigas". Ele é o mentor da Carrie, e age como a consciência dela. Apesar dela aprontar "a torto e a direito" com ele, ele gosta muito dela, e acaba protegendo e ficando do lado dela (na maioria das vezes). Mas isso é o lado A dele. O lado B, ninguém sabe. Ele é o personagem perfeito, sabe? Não está envolvido em nenhuma maracutaia, é correto, não  é ambíguo (affe, coerência mandou beijos, haha. Tinha falado logo acima que ele era ambíguo! O que eu quero dizer é que aparentemente ele não é ambíguo. Não dá para saber quem ele realmente é: só um agente da CIA, ou alguém envolvido com algum tipo de atividade ilícita). E para essa série, isso é muito estranho. Sabe-se também que existe um "mole" (tipo um informante) dentro da CIA, e que acaba vazando algumas informações e frustrando alguns planos. Mas enfim, ninguém sabe quem é, e alguns especulam que possa ser o Saul (já pensei nessa hipótese, mas estou na dúvida).
Na primeira temporada, a gente conhece os personagens principais, e descobre a real motivação do Brody em palnejar um ataque terrorista. Ah, informação importante para a próxima postagem: Brody é um suicida, e planeja um ataque usando um colete de explosivos. Antes do fatídico dia, ele grava um vídeo (endereçado principalmente para  a sua família) explicando suas motivações e esconde em um parque. Como, obviamente, ele não detona o colete, ele volta para buscar o vídeo, e advinhem? Sumiu. E fica o gancho para a segunda temporada.
Bom, mas até agora eu falei da primeira temporada de Homeland. A segunda é outra história.

PS. Dividi o post em dois. Tava ficando imenso- e confuso, haha. Depois eu posto a parte dois.

sábado, 3 de novembro de 2012

*Culinária fofa

Eu nunca gostei de cozinhar. Morro de preguiça, aliás. Só de pensar em preparar alguma coisa, já me dá um certo desânimo, e eu não faço nada. Até curtia fazer cupcakes, mas dadas as circunstâncias atuais da minha preguiça, nem me arrisco a separar os ingredientes para preparar algo. Mas de certa forma, eu amo coisas fofas. E se forem de comer, então , me apaixono imediatamente (eu disse que não gostava de cozinhar, mas meus quilos extras denunciam minha aptidão para comer).
Já faz um tempo, mas eu estava assistindo ao Fox Life um dia, e vi o programa "The Delicious Miss Dahl".

The Delicious Miss Dahl é um programa culinário produzido pela BBC de Londres e que teve 6 episódios. Cada um tem o nome de um sentimento e Sophia Dahl faz pratos de acordo com os sentimentos. 
O que poderia ser apenas mais um programa de culinária, é na verdade um programa muito bacana. O charme fica por conta da Miss Dahl, ex-modelo inglesa. Ela é estilosa, fofa e tem uma cozinha aconchegante. Além disso, o programa mostra ela passeando por Londres, suas inspirações e lembranças. O legal é que os jantares e festas não são ultra-mega-sofisticados-eu-nunca-vou-fazer-isso-na-vida. Dá uma baita vontade de colocar o avental, correr para a cozinha, fazer um jantar gostoso e convidar os amigos para saborearem uma boa refeição, conversar e brindar a amizade!

A receita desse bolo tá lá no site da BBC
No site da Fox Life tem informações sobre o programa e alguns vídeos e no da BBC tem as receitas do programa.

As fotos do post são do Fox Life.

*Essa postagem estava originalmente no meu falecido blog.

sábado, 20 de outubro de 2012

A Odisseia de Ulysses

Não, eu nunca li o Ulysses do James Joyce. Mas decidi tentar. E minha Odisseia (tu dum tss) será registrada aqui. Ressalto que não sou especialista em Joyce e nem li nada dele antes. Mas por quê não fazer um diário de leitura, né?
Horário novo, leitura nova. Vamos ver até onde eu aguento ;)

domingo, 17 de junho de 2012

Cotidiano #1

Não suporto pessoas que falam: "é por isso que o Brasil não vai para a frente", "esse é o país da Copa", "o problema do Brasil... (insira aqui qualquer coisa que você acredite ser o problema do Brasil) e chavões afins. Feita essa consideração, devo admitir que em algum momento o chavão faz-se necessário para a exposição de um assunto. E o chavão com o qual eu começo o texto de hoje é "o problema do Brasil..." ( e talvez por isso, deva me tornar uma pessoa insuportável. Tirem suas conclusões).
Mas para mim, um dos grandes problemas do Brasil é a quantidade de pseudo-intelectuais por metro quadrado que habitam nosso território nacional.
Engraçado que quando joguei "pseudo-intelectual" no google para ver como se escrevia (estudante de Letras que não sabe isso? Pseudo-intelectual!), apareceram alguns blogs ensinando a identificar um pseudo-intelectual ou afirmando que todos nós fazemos parte da famigerada categoria.
Para defender minha tese, baseio-me em uma experiência pessoal. Estou há dois meses em greve (eu não, a faculdade) e nesse tempo descobri que o Facebook é a principal plataforma de discussões políticas. Todo dia surge alguém num dos grupos da faculdade se manifestando contra ou a favor a greve, seguido por inúmeros comentários de pessoas ironizando, fazendo piadas, apoiando ou repudiando. Enfim, eu descobri que não é bom se posicionar contra a greve, correndo o risco de ser rechaçado por fiéis apoiadores do movimento (não que isso tenha acontecido comigo, me abstive de dar opiniões durante um bom tempo) e por pessoas que se acham mais inteligentes que você só porque fazem parte de algo. Veja bem, aí está um dos grandes problemas dos pretensos intelectuais: eles se acham mais inteligentes que a maioria das pessoas. Na verdade, para eles, a sociedade não passa de uma massa de manobra de uma mídia manipuladora e corrupta, enquanto eles estão livres disso porque leram um livro a mais que a maioria das pessoas. Aliás, eles adoram vomitar (eca, eu sei, mas tem gente que só sabe fazer isso) o que leram.

O pseudo não tem a mínima noção de interação social. Sei lá, você está contando que foi ao cinema no sábado. Se você tem um amigo pseudo, certamente ele irá falar que não gosta desses blockbusters holliwodianos, e que ele curte um filminho iraniano ou filmes que no mínimo o façam pensar (como se a gente não pensasse o tempo todo, né?). Aliás, eles nem curtem cinema ou festas. Eles preferem apreciar uma boa exposição de arte (contemporânea, por favor) e fazer comentários aleatórios sobre o estado de espírito do artista quando concebeu tal obra. "-Só pode se tratar de uma alma atormentada pelas mazelas da sociedade contemporânea que valoriza o ter e não o ser."- eles dizem com uma das mãos no queixo (essa imagem admito, foi sugestão da minha mãe). Também gostam de vestir roupas caras, mas que pareçam baratas. Ainda que tenham pago R$200,00 por um sapato, e outros R$100,00 por um vestido/camiseta que não parece custar mais de R$20,00. Gostam de parecer totalmente integrados com a sociedade: fingem entender o sofrimento do trabalhador que pega ônibus lotado às 6:30 da manhã. Criticam o patrão, esse explorador miserável e apoiam toda e qualquer greve, manifestação, passeata ou seja lá o que for, desde que vá contra o sistema (alguém, por favor me explica o que é "O" sistema?). Depois, pegam os trens da linha verde (ou amarela), descem em qualquer ponto da Avenida Paulista (onde têm um apartamento) e vão participar de suas atividades (pseudo)intelectuais: observar as pessoas (porque isso os ajuda a entender a sociedade), tomar um café no Bella Paulista, jantar num bistrozinho "despretensioso" na Augusta, ou frequentar um sebo.
 Eles adoram falar que a literatura contemporânea é uma porcaria e que antigamente é que tinha autor bom. Eles acreditam ser os maiores críticos sociais de suas gerações e se importam com a sociedade, são contra o capitalismo e são vegetarianos (porque isso é ser cult). Clichê? Até é. Mas o pseudo-intelectual é um clichê.

Para mim não tem nada de mais em curtir cinema iraniano, gostar "dos autores de outrora", criticar a sociedade, ser socialista e ser vegetariano. Mas por favor, saiba o que você está fazendo. Saiba que o mundo vai além das suas opiniões. Aliás, saiba que o mundo é mais do que suas opiniões. Você não tem o direito de subestimar ninguém por acreditar que seus gostos são melhores. Ou por acreditar que suas escolhas são melhores, e que a sociedade seria melhor se todos pensassem como você (acreditem, já li isso). E se você pensa assim, quem deveria ser subestimado é você. Não preciso que ninguém pense igual a mim. Já basta eu. Quero ideias novas, quero opiniões diferentes, quero que me façam mudar de ideia pelo argumento e não pelo "se você não gosta/pensa igual a mim, vá se danar". Quero menos "politicamente correto" também.  Quero discussões (não violentas) de verdade.  E quero menos ego, por favor.

sábado, 12 de maio de 2012

Dica é bom e a gente gosta- Parte 3

Passando bem rapidinho para dar uma diquinha para quem gosta de Guimarães Rosa:
Até amanhã, o box "Os caminhos do sertão de João Guimarães Rosa", da editora Nova Fronteira, está com desconto no site da Saraiva. De R$ 94,90 sai por R$ 49,90!
Quem quiser, o link é esse.